O êxtase de torcer pelo São Paulo no Morumbi, quase dez anos depois

O que faz o seu coração vibrar? Poucas coisas no mundo colocam-nos em um estado de verdadeira alegria, vivacidade, contentamento total. Tenho as minhas, e nelas está o São Paulo Futebol Clube. Não há sentimento semelhante ao de assistir ao seu time do coração jogar. A expectativa, o “jogar junto”, a apreensão, o momento do gol! Putz, o momento do gol… É uma sensação singular. Como são-paulino doente, nunca me contentei em só acompanhar o Tricolor pela TV. Sempre que possível, saía de Londrina, onde moro, e ia a São Paulo ver o time no Morumbi. Pelos últimos quase 10 anos, porém, não o fiz. A péssima fase do time na década ajudou, compromissos, pandemia e mesmo em alguma ocasião que estive em Sampa e tinha jogo no Morumba, tomei o rumo de alguma festa ou um bar com amigos. Enfim, chegou o momento de voltar a um dos lugares que me sinto mais feliz.

O jogo não era nem um pouco badalado – contra o Botafogo de Ribeirão Preto, pela última rodada da primeira fase do Paulista -, mas tinha de estar em São Paulo no último dia 19 para um casamento, então foi esse mesmo! O São Paulo, já classificado, usaria a oportunidade para dar rodagem a jogadores em estado físico inferior, neste início de temporada, e a alguns jovens recém-promovidos da categoria de base. Já avisei o fato previamente à Paulinha, minha namorada que topou me acompanhar, mesmo não tendo paixão por futebol. Torcer no estádio a convenceu, e ela me pediu até camisa pra vestir. Conosco também estava o Alequinho, meu primo que faz faculdade em São Paulo e é sócio-torcedor do Tricolor. De ingressos comprados, partimos rumo ao Cícero Pompeu de Toledo.

Tomamos o uber do Brooklin e fomos em direção ao Morumbi. Andando no bairro, arborizado e bem característico, fui me tomando de emoção e relembrando as outras vezes em que por ali passei, sempre feliz e vibrante. Fazia muito tempo, já era hora! Avistar o estádio é também momento único – o mundo fica para depois. Ali, sou só são-paulino, só torcedor, mais nada. Não penso em trabalho, preocupações, outras paixões, no que vou comer depois… Tudo some da cabeça, ainda mais vendo milhares de tricolores como eu, no mesmo espírito. É gente passando pra lá e pra cá, a caminho dos portões de entrada. O uber nos deixou em frente ao portão 5, o nosso, mas antes tinha de levar a Paulinha à frente do Morumbi, à entrada dos veículos e do ônibus do time e de onde se vê escrito lá em cima, o nome que ostentas dignamente: São Paulo Futebol Clube.

Algumas fotos depois, retornamos ao nosso portão e entramos no estádio. Hora deliciosa também é a de caminhar pelas vielas do Morumbi, e em uma entrada para as cadeiras, avistar aquele tapete verde, gramado lindo. Começada a partida, só um time jogava: o São Paulo, como era de se esperar. Time grande, atuando em casa, diante da torcida, já classificado, querendo mais uma vitória para melhorar na classificação geral e poder jogar em casa os jogos decisivos dos mata-matas. Logo veio o primeiro gol, do argentino Rigoni – um cruzamento que passou por todo mundo, não foi rebatido por ninguém, e encontrou as redes. Depois, o mesmo atacante perdeu um gol feito, com gol aberto, e todos nós ali quase caímos da cadeira, acabando em boas risadas.

No intervalo, Rogério Ceni, nosso mito como jogador e atual treinador, colocou o xodó da torcida Luciano, e a principal contratação da temporada, Nikão. O segundo perdeu um pênalti, e o Botafogo, completamente inofensivo no primeiro tempo, empatou o placar. Estava difícil acreditar que um jogo tão dominado estava ganhando um belo de um gosto amargo. Foi quando apareceu a estrela de Luciano, que pegou um rebote do goleiro botafoguense e chutou forte! A bola ainda tocou no arqueiro, mas terminou na bochecha direita das redes, e o Morumbi foi abaixo. O atacante correu pra bandeirinha de escanteio, deu-lhe um belo tapa de descarrego e euforia, e a torcida… ah, a torcida era puro êxtase.

O futebol não se explica, ele se vive de corpo e alma, mexe com a emoção, junta desconhecidos – e alguns poderão dizer que violenta, também. Mas esse não é o futebol, e sim um vandalismo disfarçado de paixão. Estes fazem do esporte um pretexto para as brigas, que são o oposto do espetáculo. Futebol é alegria, é paixão, é torcida, é vida. Saí do Morumbi, naquele início de noite de sábado, bobo pelo que presenciei e resgatei. Ainda mais, pude mostrar à Paulinha, de forma presencial, o que é ser são-paulino. Na saída, perguntei a ela se o coração estava mais tricolor, e ela nem precisava ter me respondido que sim. Mal posso esperar para voltar a este palco dos são-paulinos, uma casa toda nossa e que faz presente o sagrado. Sou louco? Sim, se estou passando a impressão, sou louco sim pelo São Paulo e não quero me curar.

Publicado por Fábio Blanco

Jornalista, natural de Londrina (PR), que quer explorar o que o encanta no mundo através da escrita. Apaixonado por futebol, música e pelas belezas do cotidiano, em detrimento das suas regras e poderes. Humano, acima de tudo.

2 comentários em “O êxtase de torcer pelo São Paulo no Morumbi, quase dez anos depois

  1. Oi Fábio, bonito ver sua paixão pelo SPFC. Tô gostando de ver o seu time no Brasileirão. O Calleri é o equivalente ao nosso Hulk. Começar com o pé direito é muito bom. Abraço

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    1. Fala, Rui! Pois é, como vocês, começamos com o pé direito! hehehe.. mas vocês sabem muito bem, o campeonato é longo e premia a regularidade. O Galo tem muitas chances de repetir o título do ano passado, ainda mais com o Hulk jogando desse jeito. Sobre o Calleri, toca nele que é gol! hahaha… abração cara, obrigado pelo comentário!! ;))

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