Um pico que só exige a disposição para apresentar o agudo da natureza

Londrina, cidade onde nasci e moro, no norte do Paraná, é pintada de beleza e também rodeada por muitas atrações naturais – cachoeiras, vistas e matas boas de visitar. Por falhas próprias, conheço muito pouco do que tenho disponível, mas já estou tratando de consertar meu desleixo. Dias atrás, em um sábado ensolarado, fui ao Pico Agudo, situado no município de Sapopema, a 126 km de Londrina. Pelo que tenho ouvido a galera falar e também postar nas redes, creio que o Pico Agudo seja hoje, ao menos aqui da região, o lugar mais explorado pelos amantes da natureza. Sim – é preciso amar o que a natureza nos dá, para entrar de cabeça nessas aventuras.

Digo isso também para esclarecer algumas coisas sobre a ida ao Pico, sobre o que ouvia e não sabia ao certo como era. Pegada e cumprida a estrada a Sapopema, ainda há 25 km de um trecho não asfaltado até o local onde começa a subida a pé. Esta, segundo cálculos de uma companheira de subida, dura pouco mais de uma hora, e sua descida, pouco menos de 60 minutos. A trilha é íngreme durante todo o percurso, mas bem feita e aberta. No começo, ela passa por dentro de uma linda mata, que refresca o início da caminhada. Entre os exemplares, uma imponente peroba, já uma raridade. Em determinado ponto, a mata acaba e a trilha continua já entregando a vista aos desbravadores. Um convite a continuar e enxergar ainda mais beleza lá de cima do pico.

Logo começam a aparecer a faladas cordas e correntes que ajudam a cumprir a subida. Entretanto, devo dizer que algumas delas são também para facilitá-la, não precisando o leitor ou a leitora ser exímio escalador para seguir na jornada. Há um ponto em que escadas de ferro foram fincadas nas pedras, mas que também não apresentam grandes dificuldades. Já ouvi falar sobre o perigo da trilha e a real possibilidade de uma queda pelo abismo do Pico Agudo. Ela existe, de fato, mas só pelo mais descuidado ou irresponsável. Há bom espaço para caminhar de forma segura e os instrumentos de auxílio (cordas, correntes e escadas) pareciam bem conservadas. Ou seja, não vi problemas de segurança ou ameaças no caminho.

A ressalva a se fazer é a pessoas com algum problema físico, como no joelho, na coluna, que possa piorar com a aventura. Estes podem ter maiores dificuldades, ou também quem quer ver a vista sem ter perrengues – no Pico Agudo, eles estarão lá. Mas, já são intrínsecos aos momentos na natureza, não é? Portanto, se esses não forem problemas pra você, pode ir na fé! Até porque a paisagem vale a pena demais. Logo no início do topo, já a vista do Rio Tibagi, lá em baixo, a cerca de 800m, passando límpido por um vale verde e cercado de um belo paredão. Logo senti-me vendo um filme da Disney, com esse cenário paradisíaco e digno dos desenhos que faziam as crianças sonharem com o mundo. Surpresa foi ver paisagem tão parecida, a cento e tantos quilômetros de casa.

Caminhando um pouco mais pelo topo do pico, novas vistas do Rio Tibagi, toda a mata do lado oposto, e também paredões mais próximos e ainda mais impressionantes. Paisagem que merece algum tempo de contemplação, sugando dela o que nos falta na vida cotidiana – mais natureza, mais fluidez, menos imposições. É o que tento colocar nos meus dias, nos intervalos dos compromissos e até no meio deles. Vem-me a reflexão: o que nos fez afastar tanto da natureza? A querer tanto além do que ela nos dá, e com isso fugir da nossa própria? Tantas vezes o essencial é preterido, é difícil entender. Se você gosta do que a vida nos dá de belo e que é natural, vá ao Pico Agudo, que não vai se arrepender.

Enquanto escrevia, não pude deixar de lembrar-me de uma das tantas composições do meu maestro soberano Tom Jobim, que cantam a valorização e defesa do nosso meio ambiente. Curta abaixo “Borzeguim” e os registros – maior parte deles feita pela minha amada fotógrafa Paulinha – da nossa aventura:

Publicado por Fábio Blanco

Jornalista, natural de Londrina (PR), que quer explorar o que o encanta no mundo através da escrita. Apaixonado por futebol, música e pelas belezas do cotidiano, em detrimento das suas regras e poderes. Humano, acima de tudo.

4 comentários em “Um pico que só exige a disposição para apresentar o agudo da natureza

  1. Puxa Fábio que aventura! Quando vi a sua chamada no Instagram, imaginei este pico ser aqui na Serra da Mantiqueira. Mas perto de Londrina, eu nunca imaginaria ter um assim.
    Haja disposição, mas com certeza a vista do lugar compensa.
    Eu não dou conta não, agora tenho a desculpa do joelho, mas antes a minha preguiça não deixaria …. Kkkk abraço 😘

    Curtido por 1 pessoa

    1. Rui, realmente é um lugar muito lindo aqui do ladinho de Londrina! E a vista compensa, sim! Mas também te entendo, o que me impulsionou muito foi a agitada da minha prima Luísa e da minha namorada Paulinha, hehehe.
      Obrigado pelo comentário, garoto!
      Abração pra você!!

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  2. Meu Deus, que dúvida atroz
    Não sei se por cautela eu fico
    e hesitante, digo cá entre nós
    Sem coragem para ir até o pico

    Sei que lá ele reina sobranceiro,
    Brilhando e mostrando lá tudo
    Vaidoso, achando-se o primeiro
    faceiro e superior, o Pico Agudo.

    Gostei do artigo Fábio, acredite
    mostrou no quadro, que descreveu
    a dificuldade e esforço para subir.

    O sacrifício para chegar lá valeu,
    Um dia será a minha hora de ir
    e ver in loco o que escreveu.

    Curtido por 1 pessoa

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