O Rei octogenário Roberto Carlos me ajudou a sentir, chorar e amar

Hoje de manhã, ouvindo à rádio CBN no carro e ao seu respectivo jornal matinal, deparei-me com as histórias dos comentaristas com Roberto Carlos, e pelo que percebi, sem maiores exigências – podia ser um encontro com o cantor, experiência de presenciar seu show ou o que aparece à lembrança e ao sentimento de cada um. O motivo, o aniversário de 80 anos que o Rei – alcunha sua e de mais ninguém – comemora hoje. Enquanto ouvia, pensei: pô, também tenho história com o Robertão, como eu e meus amigos chamávamos esta lenda brasileira. E aí decretei a decisão de escrever sobre ele, o que já vinha confabulando conforme se aproximava o seu octogenário.

Quem não conhece Roberto Carlos? Impossível. Mesmo os mais distanciados da música ou de qualquer informação já viram sua cara na televisão ou escutaram algo sobre o cantor ou alguma das centenas de suas canções. A imagem daquele homem de sorriso maroto, com o penteado mullet ora mais longo, ora mais curto, trajado sempre entre o branco e o azul escuro, com a camisa levemente aberta e o jeito de segurar o microfone meio tombado, e claro, com a risadinha de Roberto – “hã-hã-hã”… Inconfundível, não? Presença mais que obrigatória na tela da Globo no seu especial de fim de ano.

Esse foi o Roberto que conheci, primeiramente, e acredito que a maioria das pessoas também. Tive contato com outro Roberto – o nosso Robertão – nos meus tempos de faculdade, quando frequentava quase que diariamente a república de amigos meus, a saudosa Baurete, e lá ouvíamos tantas vozes e talentos brilhantes da música brasileira, entre eles, o Rei. Fui apresentado à Jovem Guarda, movimento cultural brasileiro que mesclava música, estilo de se vestir, se portar, de ser, que pegavam os brasileiros na década de 60. Os grandes nomes do movimento, Roberto e Erasmo, este o seu meio-xará que marcou época com o amigo em muitas e muitas canções que emocionam até hoje. É pensar na dupla, e começo:

“Eu não posso mais ficar aqui

A esperar!

Que um dia de repente

Você volte para mim…”

No clipe de “Sentado À Beira do Caminho”, os dois amigos compositores da canção mostram-se desolados em meio à estrada, tristes pela falta da amada, e sem dar a mínima para ocultar esse fato, ao contrário: querem mais é vivê-lo, abrir o peito e deixar que a dor do amor reja um novo caminho, que fosse para uma nova canção. É disso que mais gosto nesses caras. A coragem de se mostrarem na sua face mais entregue, mais vulnerável, mais dependente de alguém, e que se dane, porque são assim mesmo. Isso humaniza as pessoas, é quando não importa o que se faz, o que se mostra, mas o que se sente, que é perigo a espreitar todos nós. E ainda mais, vivem tais experiências no seu âmago, deixando nada para trás.

Lembro-me como se fosse hoje do dia em que minha mãe abriu a porta do meu quarto, pouco após o almoço, quando eu tirava meus minutos de cochilo, e veio falando que havia dois ingressos para o show que Roberto faria em Londrina. Os donos originais eram um amigo do meu pai e a sua mulher, que ganharam as entradas no trabalho mas não iriam ao show. Eu, que já havia desistido da façanha devido à careza dos ingressos, arregalei os olhos, levantei na hora e disse:

– Claro! Tô dentro!

Lá fomos eu e minha mãe, minha companheira de muitos shows maravilhosos e memoráveis, para mais este, realizado em uma noite gelada de junho de 2016, no Ginásio do Moringão aqui em Londrina. Em todo o tempo que precedia o show, eu só pensava: “não acredito, caraca, vou ver Roberto ao vivo!”. É realmente uma emoção diferente – antes, durante e depois. Diferente porque parece – e realmente é – que você está a presenciar um desses momentos que funcionam como um “check” na lista de uma vida, e que em alguma parte dela você vai poder parar, lembrar e dizer: “nossa, vi Roberto Carlos ao vivo”. É especial.

E foi. Também surpreendente, porque entendi no show por que Roberto é o Rei. Ele canta muito. De uma forma que não é possível perceber pela televisão. Tem um canto forte, expansivo, fácil, que toca a alma. Entre os sedentos goles de cerveja que eu dava para sentir mais forte a emoção, não houve como conter as lágrimas. Seria o maior absurdo, na verdade, segurar o choro em pleno show do Roberto Carlos, que não foi longo, mas lindo, emocionante, e inesquecível. Sem poder terminar antes de ele atirar as rosas às mulheres privilegiadas que estiveram mais próximas ao seu palco. Tenho esta cena também na minha memória, quando já me deslocava para a saída e via as rosas pairando no ar, das mãos do Rei, às das incontidas fãs.

Além do privilégio de ir a shows de ícones como Roberto, é também especial viver no mesmo tempo que eles. Caras que fizeram tanto pela música brasileira, marcaram épocas, cantaram e encantaram nossos momentos, nossas histórias. Vejo a data como a de hoje muito grande para quem valoriza a arte, as formas de unir as pessoas, que por alguns motivos hoje acabam ficando mais dificultadas. Que saibamos valorizar dias assim e mitos assim, como o Rei Roberto Carlos, louvado em todo o mundo, mas que é nosso e veio cantar no Moringão, em uma noite que não vou esquecer nunca mais. Parabéns, Roberto, pelos 80 anos de vida, e principalmente pelos quase isso emocionando as pessoas! Isso não tem preço.

*Dedico esta crônica ao meu amigo Giulinho, um grande fã de Roberto, e de quem tenho tantas saudades!

Roberto nunca teve medo; canta o que sente no coração, que está sempre em primeiro lugar

Publicado por Fábio Blanco

Jornalista, natural de Londrina (PR), que quer explorar o que o encanta no mundo através da escrita. Apaixonado por futebol, música e pelas belezas do cotidiano, em detrimento das suas regras e poderes. Humano, acima de tudo.

2 comentários em “O Rei octogenário Roberto Carlos me ajudou a sentir, chorar e amar

  1. Roberto Carlos uma lenda! Sou da época da Jovem Guarda e muitas músicas dele se tornaram favoritas para mim. São letras com sentido, com emoção e com identificação.
    Parabéns pelo texto Fábio! Sou sua fã Fabio mais que do RB kkkkk

    Curtido por 1 pessoa

    1. Nanci do céu! hahaha, muito obrigado, você dizer que é minha fã já é muito pra mim, mais que Roberto é mesmo no sentido figurado, né?! hehehe… também sou seu fã Nanci, obrigado pelo carinho de sempre!
      Você disse tudo sobre o Rei.. acho que um dos grandes méritos de um artista é conseguir transmitir toda essa emoção e identificação, como você bem colocou, que fazem da nossa vida, muito melhor!
      Beijo grande pra você!! ;***

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