Retorno à Ilha do Mel para me sentir parte da sua imensidão e sua paz

Verdade seja dita, o litoral paranaense está longe de ser um destaque na costa litorânea brasileira. Falando em Sul do Brasil, nossos vizinhos catarinenses gozam de maior badalação, com lugares como Florianópolis, Balneário Camboriú, Bombinhas, Itapema etc. Se subimos, talvez a competição seja ainda mais desleal, com as lindas praias do Sudeste e as exuberantes nordestinas. No Paraná, o forte não é praia.

Mas, meu caro, minha cara… é no Paraná que está situada uma ilha que preserva a sua natureza, que não tem asfalto e muito menos carros transitando e poluindo a atmosfera e a audição. Por essas e outras, a Ilha do Mel tem lugar cativo no coração de muitos paranaenses, brasileiros e até estrangeiros! Tamanha beleza e simplicidade parece ser o que muitos de seus visitantes buscam – sim, a Ilha é uma espécie de oposto da vida cotidiana.

A elevação do astral começa na chegada a Pontal do Paraná, onde se situam algumas praias do estado e que tem, na sua ponta, o porto que leva até a Ilha do Mel. Também é possível ir por Paranaguá, município do qual a ilha faz parte, porém a distância é maior. Em Pontal, as pessoas andando de bicicleta, sem neurose, a areia nas ruas e as muitas placas de praias preparam o coração para o embarque ao paraíso paranaense.

Lá chegando, é pé na areia – o tempo todo. Não haverá mais por que usar tênis, e quando voltar a utilizá-lo, quando for deixar a ilha, irá estranhar. Dali em diante, o chinelo de dedo estará com você até mesmo na principal balada da ilha, o animado Cavalo Marinho, ou nos restaurantes mais pomposos. Mesmo eles carregam o despojamento e a tranquilidade inerentes à ilha, que certamente não é o lugar para exibir looks chiquetosos.

Para quem não conhece, a Ilha do Mel é dividida basicamente em duas partes: Encantadas e Brasília. A primeira, na minha visão, mais festeira, onde se situam o Cavalo Marinho, o Toca Raul – bar que homenageia o grande Raul Seixas e que não toca outro artista que não o Maluco Beleza -, a vila cultural da Lua, entre outros agitos possíveis de encontrar, principalmente nas altas temporadas. Em Encantadas, também, estão a Gruta e a Praia de Fora, na minha opinião, a mais bonita da ilha.

Por sua vez, Brasília, a meu ver, transmite maior tranquilidade por exemplo para quem tem filhos pequenos, com muitas opções de aconchegantes pousadas e um espaçamento maior entre os estabelecimentos, que parece torná-la até mais silenciosa que a outra parte. Mas quem se hospeda em Brasília não fica órfão curtir uma boa noitada – os famosos forrós da ilha, por exemplo, rolam frequentemente nesta região. Sem falar que ali estão o Farol e o Forte, dois dos principais pontos turísticos do paraíso.

Após voltar tantas vezes, no entanto, só o fato de estar lá já me é confortável. Sinto que me encontro em um local um tanto sagrado, que se modificou apenas o necessário para receber seus turistas. Ali tenho uma relação com a natureza mais sublime, verdadeira. Volto a ver que o mundo é muito mais do que se busca fazer dele, e sim, o que ele sempre foi, o que me acalma e que não me deixa minúsculo em meio à sua imensidão – me faz sentir parte dela.

Anoitecer na baía de Encantadas, no último dia de 2020 (autora: Ana Paula Cavalheiro)

Publicado por Fábio Blanco

Jornalista, natural de Londrina (PR), que quer explorar o que o encanta no mundo através da escrita. Apaixonado por futebol, música e pelas belezas do cotidiano, em detrimento das suas regras e poderes. Humano, acima de tudo.

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